Ilanah Lobel-Torres (O Pássaro da Floresta) e Andreas Schager (Siegfried) em “Siegfried”, na Ópera da Bastilha, em janeiro de 2026.

Terceira parte do Tetralogia – O Anel (” Anel “)por Richard Wagner, Siegfried é, na verdade, a parte central do tríptico que reflecte a luta pela conquista do anel amaldiçoado (instrumento de poder forjado por Alberich no primeiro dos quatro episódios, Reno Ouro). Este é o momento de mudança entre a era dominada pelos deuses (A Valquíriaprimeiro de três dias épicos) e o advento de um mundo governado por homens (Crepúsculo dos Deusesterceira e última etapa de um caminho edificante). Siegfried é, portanto, o cenário de uma inversão de papéis.

Será por isso que, na nova produção da obra apresentada na Ópera da Bastilha até 31 de Janeiro, Calixto Bieito localizou a acção dos dois primeiros actos numa floresta cujas árvores estão plantadas ao contrário? Base enterrada nos lustres e topo ao nível do planalto… Do Valhalla celestial dos deuses às ruínas terrenas dos homens?

Despertado ou não por tal intenção, este imponente cenário silvestre (enquadramento poético de Rebecca Ringst), ocasionalmente animado por uma rede de linhas coloridas (vídeo sóbrio de Sarah Derendinger), convida o olhar a descobrir símbolos. Vemos assim num abeto, colocado horizontalmente na lateral do palco, um gigantesco equivalente da espada que constituirá o fio condutor da trama. Quebrado em vários pedaços, no final de A Valquíria, por Wotan (o “Júpiter” do Olimpo saxão), a arma deve ser completamente reformulada para permitir que Siegfried mate o terrível Fafner que zela pelo cobiçado anel.

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