O sucesso – ou fracasso – da transição energética é em grande parte uma questão de geopolítica. Em todo o caso, é esta a análise que o grupo TotalEnergies defendeu ao apresentar, terça-feira, 4 de novembro, o seu novo “Energy Outlook”, um relatório que publica todos os anos sobre a evolução do sistema energético global. O objectivo de conter o aumento das temperaturas abaixo dos 2°C, em conformidade com o acordo de Paris, parece hoje “fora do alcance”de acordo com a grande empresa de petróleo e gás. “Isto exigiria uma enorme coordenação global. Dada a fragmentação geopolítica do mundo, a probabilidade de sucesso deste cenário está a diminuir”sublinhou o seu CEO, Patrick Pouyanné.
De acordo com este exercício prospectivo que realiza pela sétima vez, o grupo não prevê que o pico dos combustíveis fósseis chegue tão cedo. No primeiro dos três cenários propostos, denominados “Tendências”, que correspondem às tendências actuais em política e tecnologia, a procura de petróleo continuaria a aumentar até 2040, antes de iniciar um lento declínio.
Em 2050, ainda atingiria 98 milhões de barris por dia (bpd). Pouco menos do que os cerca de 104 milhões de bpd consumidos hoje – e mais do que a estimativa de 90 milhões de bpd para 2024. Este cenário prevê que a participação dos combustíveis fósseis no cabaz energético ainda será maioritária (60%) em 2050. Levaria a um aumento das temperaturas entre 2,6 e 2,8°C até ao final do século.
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