A estrutura ternária dos nossos dias alimentares constitui mais uma construção social do que uma obrigação biológica. No entanto, este ritmo acaba por estar intimamente ligado ao funcionamento do nosso corpo. Compreender os mecanismos que regulam o nosso apetite e o nosso metabolismo permite-nos avaliar a relevância desta organização nutricional.
O relógio biológico e suas necessidades nutricionais
Em 2017, três cientistas americanos ganharam o Prémio Nobel da Medicina pela sua investigação sobre ritmos circadianos. Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young confirmam como nosso corpo regula naturalmente suas funções vitais ao longo de 24 horas. Este relógio interno orquestra o nosso sono, a nossa temperatura corporal, a nossa pressão sangue e nossos comportamentos alimentares.

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Prêmio Nobel de Medicina 2017: o relógio biológico em destaque
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Segundo Arnaud Cocaul, médico nutricionistacada célula possui receptores sensíveis à alternância dia-noite. Essa sincronização influencia diretamente na nossa capacidade de assimilar nutrientes. Estruturar a alimentação em três momentos distintos promove o respeito por esses ciclos naturais. A tradicional organização francesa parte do princípio dos três oitos: oito horas dedicadas ao descanso, oito horas de atividade pessoal, oito horas de trabalho.
Os trabalhadores noturno ilustram perfeitamente os perigos de um ritmo perturbado. Essas pessoas frequentemente desenvolvem transtornos alimentares, oscilando entre o consumo excessivo e a restrição excessiva. O lanche compulsivo é resultado direto dessa dessincronização, levando a repercussões metabólicas significativas.

O ritmo de três refeições diárias foi estabelecido no século XIXe século, difundido com a Revolução Industrial. © AleksandarNakic, iStock
Ao contrário da crença popular, o pequeno-almoço representa um passo crucial no nosso dia nutricional. A ingestão de alimentos pela manhã interrompe o jejum noturno e ativa nosso metabolismo. Arnaud Cocaul ainda recomenda torná-la a refeição principal, desde que você prefira alimentos de qualidade.
As escolhas alimentares matinais determinam em grande parte a nossa energia diário. Infelizmente, os produtos ultraprocessados estão invadindo gradativamente nossas mesas, principalmente entre as gerações mais jovens. O cereais Os pastéis industriais ou diários são hábitos a moderar. A nutricionista recomenda em vez disso:
- Pão com fermento natural.
- Pão de espelta pequeno.
- Grãos integrais não refinados.
- Alimentos ricos em proteínas e fibras.
Esta abordagem garante uma liberação gradual de energia e estabiliza o açúcar no sangue até o almoço.
Variações culturais e seus fundamentos científicos
A generalização das três refeições na França remonta ao século XIX.e século, período da Revolução Industrial. No entanto, esta organização não constitui uma regra universal. Na Espanha, algumas regiões praticam até cinco refeições diárias. O Japão está examinando o conceito de refeição única com jejum japonês. Em Marrocos ou na Nigéria, duas refeições são tradicionalmente suficientes.
Estas variações culturais levantam uma questão fundamental: que abordagem otimiza realmente a nossa saúde? Arnaud Cocaul destaca a ausência de publicações científicas que validem os benefícios destes diferentes ritmos. Atualmente, a pesquisa médica favorece a regularidade e a sincronização com os ciclos circadianos, em vez de um número específico de refeições.
Adaptar a nossa dieta às nossas relógio biológico tem precedência sobre o estrito cumprimento de um padrão quantitativo, desde que esta organização preserve o equilíbrio metabólico e hormonal do nosso organismo.