Com vista para o pequeno escritório onde dois funcionários registram pedidos, fazendo malabarismos com e-mails e telefonemas, três apreensões de Stockman. Clássico: tripé de metal, logo da marca de luxo, costura tripla na frente. Apenas o tamanho difere do comum, já que se trata de versões miniaturizadas. Uma lembrança do parêntese Covid, quando, para o outono-inverno 2020-2021, a Dior, obrigada a desistir de um desfile, mandou entregar uma coleção de mini-bustos nus aos seus clientes mais fiéis em um charmoso baú.
“Devemos ter produzido cerca de 4.000 desses espécimes”, lembra o diretor da oficina, Louis-Michel Deck, numa manhã fria de dezembro. Maquetes do famoso modelo New Look de 1947 com cintura justa e quadris arredondados, aqui chamado de “B406”, que o próprio Christian Dior teria confeccionado um dia em um acesso de raiva.
“Foi com grandes marteladas nervosas que ele deu ao manequim a forma da mulher ideal para a moda que ia lançar”, certifica Suzanne Luling, amiga de infância e diretora de vendas, em Meus anos Dior (Le Cherche Midi, 2016).
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