
A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, relatou na noite de quinta-feira uma “tensão em todos os serviços de emergência” ligada às epidemias de inverno, à neve e à greve dos médicos privados, que se intensificou segundo dados do Seguro de Saúde.
“Há tensão em todos os serviços de emergência” do país, disse Stéphanie Rist durante uma visita às urgências do hospital Saint-Antoine, em Paris.
“Conseguimos requisitar se for preciso”, acrescentou, referindo-se a um “momento complicado em que há a epidemia de gripe, onde houve o episódio da neve e a greve dos médicos que leva a um aumento da atividade em todos os serviços de urgência”.
Relativamente à greve dos médicos privados iniciada na segunda-feira, que deverá aumentar em crescendo e durar dez dias, a actividade dos médicos de clínica geral caiu na terça-feira em 19% face à actividade habitual, e a dos especialistas em 12%, segundo dados do Seguro de Saúde, indicou, reportando “números significativos”.
Correspondem ao volume de fichas eletrônicas de atendimento transmitidas aos planos de saúde pelos médicos, em relação à mesma terça-feira do ano passado.
Na segunda-feira, a atividade tinha caído menos: 15% entre os médicos de clínica geral e 6% entre os especialistas, segundo números anteriormente avançados pelo ministro.
Para as urgências do hospital de Saint-Antoine, que registam um pico de atendimento, “foi ontem +40% de atividade, que foi absorvida”, com pacientes que “foram corretamente atendidos no serviço”, indicou Stéphanie Rist.
Entre a meia-noite de terça e a meia-noite de quarta-feira, o serviço registou 240 passagens, contra a média habitual de 180. A noite de terça para quarta foi particularmente difícil, disseram ao ministro o chefe do departamento Pierre-Alexis Raynal e um médico de emergência.
Muitos serviços de urgência e Samu-SAS (Serviços de Acesso aos Cuidados, que atendem chamadas para 15) foram sobrecarregados nos últimos dias por um pico de atendimento intenso, algo “nunca visto” desde a pandemia de Covid-19, segundo vários médicos de emergência.
Vários hospitais acionaram planos brancos (um dispositivo que permite, nomeadamente, a retirada dos cuidadores do repouso, ou a desprogramação de cuidados não urgentes), como o Hospital Universitário de Toulouse, que afirmou no seu comunicado de quinta-feira que pretende “antecipar e gerir” o adiamento da atividade ligada à greve dos médicos da clínica.