O início de um efeito dominó? Depois do Crédit Agricole, em setembro de 2025, o banco HSBC França, por sua vez, decidiu negociar com o Ministério Público Financeiro Nacional (PNF) para resolver o chamado caso de fraude fiscal “CumCum”. Aceitou pagar uma multa de 267 milhões de euros e reconhecer judicialmente o carácter ilegal desta prática que visa contornar a tributação de dividendos, poupando-se assim a um julgamento por evasão fiscal agravada e branqueamento de capitais agravado deste crime.

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Um acordo judicial de interesse público (CJIP) nesse sentido foi aprovado, quinta-feira, 8 de janeiro, pelo tribunal judicial de Paris, depois de ter sido assinado, terça-feira, entre o banco e o PNF. No detalhe, o banco britânico aceitou pagar 115 milhões de euros correspondentes aos danos às finanças públicas decorrentes de impostos não pagos, aos quais se somam 152 milhões de multas. A investigação do PNF revelou actividade “CumCum” claramente organizada dentro da sucursal de Paris, por ordem da sede em Londres. O HSBC reconheceu claramente, durante a audiência, o estabelecimento de um “estrutura” o que resultou em “não pagar impostos devidos na França”especificando ao mesmo tempo que encerrou esta atividade em 2020.

Resumindo rapidamente, “CumCum” permite que acionistas estrangeiros de empresas francesas contornem o imposto sobre dividendos, confiando temporariamente as suas ações a bancos, que são remunerados no processo. “É um pouco como fomentar a ação a alguém que não está sujeito a impostos”resumiu o presidente do tribunal durante a audiência.

Um truque financeiro

Os bancos argumentam que esta prática optimiza o funcionamento dos mercados financeiros e que qualquer vantagem fiscal induzida é puramente fortuita. Na realidade, porém, trata-se nada mais nada menos do que uma prestidigitação financeira cometida em detrimento das finanças públicas, segundo a análise convergente do fisco e dos tribunais. Todos os anos, o “CumCum” priva o orçamento do Estado, já sob pressão, de mil a três mil milhões de euros em receitas fiscais, segundo diversas estimativas de especialistas.

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