Nicoleta Hancu (Florina) em “Este Ano Novo Que Nunca Chegou” (2024), de Bogdan Muresanu.

FESTIVAL CINÉ+ – QUARTA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO ÀS 20h50. – FILME

A anedota poderia ser engraçada se não tivesse consequências potencialmente trágicas. Poucos dias antes das festividades de fim de ano de 1989, Marius, de 7 anos, escreveu e postou uma carta ao Papai Noel. Na missiva, ele pede de presente uma locomotiva para si, uma bolsa nova para a mãe, pois a antiga estava rasgada, e, para o pai, Gelu (Adrian Vancica), “deixe o velho Nico morrer, porque é isso que ele quer”. Compreendendo a morte de Nicolae Ceausescu, 71 anos, presidente desde 1974 da República Socialista da Roménia. Entra em pânico quando o pai descobre. Temos de encontrar a todo o custo uma forma de recuperar o correio antes que a Securitate, a polícia política secreta, o encontre.

Histórias absurdas como essa, Este Ano Novo que nunca chegouPrêmio Orizzonti de Melhor Filme e Prêmio Fipresci no Festival de Cinema de Veneza em 2024, está repleto deles. Começando pelo fio condutor da narração: a televisão romena deve inverter parte do programa de Natal porque a jovem que ali canta a canção patriótica fez comentários críticos contra o regime na Rádio Europa Livre. Problema, o conjunto está meio destruído e os extras desapareceram. Em torno deste arco central, a primeira longa-metragem de Bogdan Muresanu entrelaça vários destinos confrontados, em 20 e 21 de dezembro de 1989, com o controlo de um regime totalitário em ruínas.

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