A União Europeia revelou na terça-feira medidas de apoio à indústria europeia de plástico reciclado, que enfrenta grandes dificuldades face à concorrência chinesa.
A Comissão Europeia pretende, em particular, apoiar investimentos na reciclagem química, uma tecnologia que consiste em aquecer plásticos a várias centenas de graus para os reciclar.
Com utilização intensiva de energia, esta técnica é mais poluente do que a reciclagem mecânica, mas “pode desempenhar um papel” para certas embalagens de alimentos, como iogurtes, acredita Bruxelas.
A Comissão irá, portanto, propor aos estados europeus que integrem a reciclagem química nas regras da UE sobre a proporção obrigatória de plástico reciclado em garrafas.
Para ajudar o setor dos plásticos, o executivo europeu quer também simplificar a transição do estatuto de resíduo para o de matéria-prima reciclável, graças a critérios comuns dentro dos Vinte e Sete.
“Este é um passo essencial para estabelecer um mercado único para plásticos reciclados, simplificar os procedimentos administrativos para os recicladores, em particular as pequenas e médias empresas, e garantir um fornecimento estável de materiais reciclados”, garante a Comissão.
Bruxelas também promete controlar melhor as importações, para evitar a concorrência desleal.
A Comissão apresenta estas medidas como um primeiro passo antes de uma lei mais ampla dedicada à economia circular.

“As respostas fornecidas nesta fase são insuficientes tendo em conta as questões económicas, industriais e sociais”, reagiu à AFP o grupo francês de serviços ambientais Veolia, na vanguarda do pedido de medidas de emergência para apoiar o sector.
“É imperativo que a Comissão tenha plena consciência da gravidade da situação e adote medidas que realmente respondam aos desafios”, acrescentou Veolia.
Confrontados com os custos energéticos e a concorrência internacional, os fabricantes de plástico pediram ajuda no início de outubro, afirmando que estavam “no limite”.
A longo prazo, a produção europeia diminui enquanto as importações provenientes da Ásia são cada vez mais importantes.
Globalmente, a produção de plástico continua a crescer a um ritmo sustentado, atingindo 430,9 milhões de toneladas de plástico virgem em 2024 (+4% em relação a 2023). Mas mais de metade veio da Ásia (57,2%) e mais de um terço só da China (34,5%).
A Ásia também é dominante no mercado do chamado plástico “circular”, ou seja, reciclado mecanicamente, feito a partir de biomassa, reciclado quimicamente ou por captura de carbono: 30,3% da produção vem da China e 24,6% do resto da Ásia. A Europa é responsável por 19% desta atividade, segundo a Plastics Europe, organização que reúne cerca de uma centena de empresas.
A UE enfrenta volumes crescentes de resíduos de plástico, uma fonte cada vez maior de poluição.
“Ecologizar” as embalagens, além de reduzi-las, é uma questão essencial.
Segundo dados da UE, cada europeu produziu quase 190 kg de resíduos de embalagens em 2021 e este número aumentaria para 209 kg em 2030, sem medidas adicionais.