
A Interpol acaba de desferir um grande golpe na indústria criminosa africana. Com a ajuda das autoridades locais, os investigadores prenderam mais de 570 hackers e descriptografaram seis ransomwares. As atividades visadas resultaram em perdas financeiras de mais de US$ 21 milhões.
A guerra contra o cibercrime continua inabalável. Em colaboração com agências responsáveis pela aplicação da lei de 19 países africanos, a Interpol realizou uma grande operação contra a indústria da extorsão. As autoridades concentraram-se em organizações especializadas em extorsão online, ataques de ransomware e invasão de contas de email corporativas. Atividades direcionadas permitiram que os cibercriminosos ganhassem mais de 21 milhões de dólares.
“A escala e a sofisticação dos ataques cibernéticos em África estão a acelerar, especialmente contra sectores críticos como as finanças e a energia”declara Neal Jetton diretor de crimes cibernéticos da Interpol.
Chamada de Operação Sentinela, a operação ocorreu entre 27 de outubro e 27 de novembro de 2025. A ofensiva permitiu que as autoridades colocassem as mãos mais de 570 cibercriminosos. Estes são suspeitos de fraudes online, campanhas de ransomware em grande escala e outras formas de crime cibernético financeiro.
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Seis ransomware descriptografados pelas autoridades
No processo, a Interpol colocou offline mais de 6.000 links maliciosos. Eles foram usados para distribuir malware ou orquestrar campanhas de phishing. Ao analisar os dados apreendidos durante a operação, as autoridades conseguiram decifrar seis variantes de ransomware. As autoridades e especialistas coletaram uma amostra do malware usado e a analisaram em profundidade. A partir desta análise, eles desenvolveram uma ferramenta de descriptografia. Com a ferramenta desenvolvida é possível desbloquear dados criptografados por ransomware. As chaves permitem que as vítimas recuperem suas informações sem ter que pagar resgate.
Com as chaves de desencriptação resultantes da Operação Sentinela, a polícia conseguiu ajudar uma instituição financeira no Gana. Na verdade, os dados contidos neles foram criptografados por ransomware. A ferramenta possibilitou restaurar 30 TB de dados dos 100 TB criptografados pelo malware. Team Cymru, Shadowserver Foundation, Trend Micro, TRM Labs e Uppsala Security estão entre as empresas que ajudaram os investigadores.
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Cibercrime africano no visor
A ofensiva surge no seguimento de outra grande operação no continente africano, orquestrada em Agosto de 2025. Durante uma operação denominada Serengeti 2.0, as forças policiais, acompanhadas pela Interpol, já tinham derrubado mais de 1.200 cibercriminosos africanos. O cibercrime é responsável por mais de 30% de todos os crimes denunciados na África Ocidental e Oriental, de acordo com o relatório da Interpol sobre a Avaliação da Ciberameaça em África 2025. Ainda segundo a Interpol, 90% dos países africanos consideram que necessitam“melhorias significativas” na investigação de crimes digitais.
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