Este é um importante ponto de viragem para a protecção do consumidor. Apesar da forte mobilização e de um custo de encerramento contestado, o Senado validou a liquidação da INC. Uma decisão que abre caminho à privatização de 60 milhões de consumidores, marcando o fim do seu estatuto público histórico.

É um monumento à defesa do cidadão que está vacilante. O Senado validou a liquidação do Instituto Nacional do Consumidor (INC), selando o destino de sua histórica revista. Uma decisão justificada por razões económicas, mas que priva os franceses de um perito independente face aos lobbies.

O artigo 71 da lei financeira para 2026 permanecerá, sem dúvida, como aquele que tinha a pele de 60 milhões de consumidores. No sábado, 13 de novembro, o Senado tomou uma decisão: o Instituto Nacional do Consumidor (INC) será dissolvido até março próximo.

Concretamente, isto significa o fim da gestão pública da revista, que deveria ser transferida para um ator privado. Uma decisão cheia de significado, já que o título celebra meio século de experiência ao serviço do público, longe das pressões publicitárias.

Um cálculo econômico que não passa

Para justificar este encerramento brutal, o governo, através do Ministro da Indústria Sébastien Martin, invoca uma “situação financeira degradada” e uma infusão de ajuda pública que se tornou ineficaz.

No entanto, os números apresentados pelos oponentes desta medida revelam um paradoxo preocupante. O custo estimado de liquidação do estabelecimento (planos sociais, encerramento de estruturas) está estimado entre 8 e 10 milhões de euros. No entanto, o orçamento operacional anual do INC ascende a 11,6 milhões de euros. Resumindo: o Estado gastará quase tanto para fechar o instituto quanto para mantê-lo funcionando por mais um ano.

Uma expertise que também abala a Tech

Perder 60 milhõesnão é apenas esquecer as batalhas do passado, é nos privar de um olhar crítico sobre as nossas tecnologias atuais. A revista voltou a provar a sua relevância muito recentemente com uma pesquisa intransigente sobre a fiabilidade dos smartphones em 2025.

O seu último estudo revelou que marcas chinesas como Xiaomi (94,1% dos modelos sem falhas) ou Honor obtiveram uma pontuação de fiabilidade melhor do que a Apple. Por outro lado, ela apontou a fragilidade dos Google Pixels, embora sejam populares por seu software.

Crônica de asfixia organizada

Esta falência não é um acidente, mas o resultado de uma erosão lenta. Em coluna publicada por O mundo no dia 9 de dezembro, um coletivo de personalidades denunciou uma “asfixia organizada”.

Os números estão aí: o subsídio público atribuído ao INC derreteu, passando de 6,3 milhões de euros em 2012 para apenas 2,7 milhões em 2020. “Organizamos metodicamente a redução de recursos para, em última instância, justificar o fechamento”os signatários estão indignados. Uma estratégia que contrasta com os 175 milhões de euros de ajuda à imprensa pagos em 2024, dos quais beneficiam grupos privados propriedade de bilionários.

A união sagrada: de Élise Lucet a Olivia Grégoire

A gravidade da situação provocou uma rara aliança. O fórum de apoio reúne figuras de todas as esferas da vida: a jornalista investigativa Élise Lucet, o criador do Nutri-Score Serge Hercberg, a economista Julia Cagé, mas também políticos de lados opostos, como o deputado da LFI Éric Coquerel e a ex-ministra macronista Olivia Grégoire.

Todos partilham o mesmo receio: uma vez privatizada, será que a revista ainda conseguirá cobrir as falhas dos smartphones ou os excessos da distribuição em massa se esses mesmos players comprarem as suas páginas publicitárias? Para o senador Fabien Gay, a resposta é clara: é o fim do “a última revista independente do poder do dinheiro e da pressão dos lobbies”.

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Humanidade



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