
A Huawei tinha grandes ambições na Europa. A empresa chinesa construiu uma fábrica em Bernolsheim, perto de Estrasburgo, a primeira no continente. Deve ser utilizado na fabricação de equipamentos de comunicação sem fio para telecomunicações. No entanto, a fábrica está concluída desde setembro e a produção ainda não começou.
O projecto representa um investimento inicial de 200 milhões de euros, valor que terá aumentado ao longo do tempo até atingir os 300 milhões. Mas desde o início de sua construçãoO clima a política mudou. Cada vez mais países europeus preferem excluir os equipamentos Huawei da sua rede devido aos riscos de espionagem cibernética. O grupo chinês representaria de 35 a 40% dos equipamentos 4G e 5G da Europa. Se contiverem acessos ocultos, poderá potencialmente monitorizar as comunicações ou bloquear as redes europeias em caso de conflito com a China.
O futuro incerto do projeto europeu
De acordo com Reutersentre a relutância dos governos e a implantação muito mais lenta do que o esperado do 5G, a Huawei poderá decidir nunca abrir a sua fábrica. De acordo com uma autoridade eleita local que participou de uma reunião no início de novembro, a empresa estava considerando todas as opções. Mas já há algum tempo circulam rumores sobre uma revenda e vários grupos já visitaram o local. O fabricante ainda não tomou uma decisão. Na primavera passada, a Huawei já tinha anunciado que adiou o início da produção para 2027.
A desconfiança em relação à Huawei não se limita aos equipamentos de telecomunicações. No passado mês de maio, foram descobertos dispositivos de comunicação ocultos nos inversores da marca utilizados na construção de painéis solares. A potencial revenda da fábrica na Alsácia pode, portanto, ser uma boa notícia para a soberania europeia, mas corre o risco de ser uma má notícia para a economia local, prevendo-se que a fábrica crie até 500 empregos.