Os vírus Ebola e Marburg estão entre os patógenos mais letais, com taxas de mortalidade de até 90%. Ambos membros da família dos filovírus, causaram epidemias devastadoras desde a década de 1970, principalmente na África. As apresentações clínicas das duas doenças são idênticas, sendo o Ébola mais grave e mais fatal. Sinalizadas por fortes dores de cabeça, febres agudas, diarreia, vômitos e desidratação intensa desde os primeiros dias de incubação, as duas infecções muitas vezes degeneram em múltiplas manifestações hemorrágicas levando à morte do paciente cerca de dez dias após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Não existe vacina ou tratamento contra esses vírus. Parece, portanto, essencial conceber novas estratégias de controlo. É neste contexto que entra em cena o trabalho realizado por Elizabeth Flores do Boston Medical Center (UE) e seus colegas.

Mini intestinos e cólon

A equipe projetou organoides, mini réplicas 3D do intestino humano e do epitélio do cólon. Cultivados a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) criadas em laboratório a partir de células da pele ou glóbulos vermelhos adultos, esses organoides foram então infectados com os vírus Ebola e Marburg. O objetivo do experimento era ver como os dois vírus interagem com os tecidos intestinais e podem interromper a secreção de fluidos corporais.

Ao analisar as atividades genéticas dos organoides infectados, os investigadores notaram, em particular, que o seu intestino e cólon em miniatura se comportavam de forma diferente face aos vírus, sendo estes últimos mais severamente afetados.

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Uma barreira intestinal totalmente porosa

Ambos os vírus atuam interrompendo as vias de sinalização envolvidas no transporte de fluidos e íons ao longo do trato digestivo. Na verdade, danificam o revestimento intestinal, tanto a superfície externa das células como as junções entre as células, ambos elementos essenciais para controlar o que é permitido atravessar a barreira intestinal. Isto explica por que os órgãos digestivos se tornam porosos, levando logo a um sofrimento generalizado por todo o corpo do paciente. Ao mesmo tempo, investigadores americanos mostraram que a resposta imunitária estava completamente enfraquecida e atrasada, especialmente a produção de interferões, proteínas que normalmente combatem os vírus e impedem a sua multiplicação.

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Com este trabalho, os cientistas permitiram compreender melhor as estratégias destrutivas do Ébola e do Marburgo, mas também demonstrar todo o potencial destes mini órgãos laboratoriais que são organoides. Abrindo caminho para o desenvolvimento de terapias direcionadas especificamente contra esses dois patógenos cruéis.

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