Inventor de um cinema comprometido que combina documentário e ficção, elogiado por Jean Rouch, John Lennon, Enki Bilal e José Bové, o cineasta britânico Peter Watkins morreu no dia 31 de outubro em Bourganeuf (Creuse), aos 90 anos. Cineasta, agitador, encrenqueiro, “herege”, Peter Watkins era tão perturbador que foi condenado ao silêncio durante vários anos. Convertido ao neorrealismo, formado na escola documental inglesa (os chamados “Angry Young Men”), matador de dogmas, este encrenqueiro quis desmantelar os mecanismos da mentira, pôr em causa a objectividade e as representações da realidade.
Nascido em 29 de outubro de 1935 em Surrey, filho de um bancário e de uma secretária, considerou a carreira militar antes de retornar à sua primeira paixão: ser ator. Em 1956, ele filmou um filme de 8 mm sobre um soldado alemão tentando escapar dos combatentes da resistência francesa, que ganhou uma Estrela de Ouro no Ten Best, o Oscar amador. Dois anos depois, ganhou o Oscar, na mesma competição, por O Diário de um Soldado Desconhecidoambientado durante a Primeira Guerra Mundial. A Batalha de Culloden (1964), seu primeiro filme profissional sobre o massacre dos montanheses escoceses pelos britânicos em 1746, foi elogiado pela crítica.
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