Esperava-se que as eleições na Tanzânia, realizadas na quarta-feira, 29 de Outubro, decorrem sem turbulências ou surpresas. Uma votação metodicamente travada pela chefe de Estado, Samia Suluhu Hassan, à frente do omnipotente partido presidencial, o Chama Cha Mapinduzi (CCM). Uma oposição ausente, ou quase.
Tundu Lissu, o líder do principal partido de protesto, Chadema, está preso e julgado por traição. Luhaga Mpina, candidato do único outro partido importante, ACT Wazalendo, foi excluído por razões processuais. A repressão, que tem sido cada vez mais forte há vários anos, intensificou-se recentemente, com ONG e a sociedade civil denunciando intimidações, raptos e desaparecimentos. No início da votação, o exército posicionou tanques em redor de Dar es Salaam, a capital económica.
Mas todas estas precauções não foram suficientes para conter a ira de parte da população tanzaniana. Na quarta-feira, enquanto a votação ainda não estava concluída, eclodiram manifestações violentas na maior cidade, à beira do Oceano Índico. Centenas de pessoas, especialmente homens jovens, gritaram a sua oposição ao CCM, o grupo que governa a Tanzânia sem interrupção desde a independência em 1961.
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