Vacinação geral do gado ou não? O governo, confrontado com a indignação dos criadores, lançou na terça-feira “reflexões” sobre a vacinação preventiva do gado francês contra a doença de pele protuberante (LCD), uma estratégia que divide as partes interessadas da pecuária.

Esta doença, que surgiu em junho em França e não é transmissível ao ser humano, está “sob controlo em França (…), a estratégia de controlo deu provas”, garante o ministério.

Mas esta estratégia, que consiste no abate de todos os animais dos agregados familiares em causa, desencadeia a ira dos criadores apoiados pelos sindicatos Coordenação Rural (CR) e Confédération paysanne, que a consideram “injusta e ineficaz” e intensificam acções de oposição.

Reunido na terça-feira pela ministra da Agricultura, Annie Genevard, um “Parlamento da Pecuária”, reunindo sindicatos, veterinários, institutos de investigação, etc., “foi uma oportunidade para (lançar) reflexões e discussões sobre as perspetivas de vacinação em 2026”, segundo o ministério.

Estas “perspetivas (…) ainda estão a ser consideradas”, acrescentamos.

“Definimos os termos do debate”, disse Genevard à AFP, à margem de outra reunião: “há prós, há contras… certamente em breve haverá outro comité porque muitos disseram que precisamos de avaliações das consequências”, especialmente as comerciais.

A estratégia implementada desde o aparecimento da DNC envolve o abate de todos os animais nos agregados familiares afectados, restrições aos movimentos dos rebanhos e “vacinação de emergência” de todo o gado na área em questão.

Desde 29 de junho, 108 surtos foram detectados em sete departamentos e cerca de 3.000 bovinos foram sacrificados. Três das cinco áreas restritas não estão mais regulamentadas, desde 22 de outubro, 5 de novembro e 30 de novembro.

Mas o recente aparecimento de surtos em zonas restritas – onde o transporte de gado é praticamente proibido – “continua preocupante e resulta provavelmente de movimentos de animais, alguns dos quais ilegais”, garante o ministério, que indica que os controlos serão “reforçados”.

– Perguntas para exportação –

Os oponentes destas medidas denunciam o abate sistemático e desnecessário, especialmente de animais vacinados. Tanto a CR como a Confederação Camponesa apelam a um amplo plano de vacinação.

“A estratégia é matar vacas. O que queremos é antecipação, não ter permanentemente uma espada de Dâmocles” sobre as nossas cabeças. “A vacinação, sabemos que funciona”, dentro de um perímetro a definir e acompanhado de restrições à circulação de animais, disse Stéphane Gallais, porta-voz da Confederação, à AFP após a reunião.

Mas “o que senti é que não existe um desejo global real de avançar nesse sentido”, disse ele, especificando que o seu sindicato continuava as suas ações em toda a França.

Por outro lado, outros temem que a vacinação geral possa pôr em causa o “estatuto livre” da França, permitindo-lhe exportar.

Em 2024, França, o maior exportador mundial de animais vivos, enviou para o estrangeiro quase 1,3 milhões de bovinos jovens, por mais de mil milhões de euros, segundo a Alfândega. Eles vão principalmente para Itália e Espanha para serem engordados.

Um acordo com Roma permitiu, desde segunda-feira, que o gado vacinado nas zonas afetadas fosse enviado para Itália.

Mas este tipo de acordo vem acompanhado de restrições, sublinha Patrick Benezit, presidente da Federação Nacional de Bovinos (associação especializada da FNSEA), nomeadamente a obrigação de vacinação em torno da criação, que pode bloquear o comércio durante vários meses. “E teremos que negociar país por país”, acrescenta.

“Pedimos saber todas as consequências (…) para nos podermos posicionar”, sublinha Laurent Saint-Affre, da FNSEA, presente terça-feira.

A “forte relutância” da FNSEA em relação à vacinação “deve-se ao risco de colapso das exportações e dos preços”, explicou à AFP o seu presidente, Arnaud Rousseau.

“Podemos ter de o fazer se a doença estiver fora de controlo. Mas vacinar 15 milhões de animais é entre 30 e 40 semanas” antes de ter cobertura nacional e esperar “recuperar o estatuto de livre de doença”, sublinhou.

Do lado do CR, Natacha Guillemet disse estar “muito irritada”, deplorando “uma decisão pouco corajosa” que consistiu em “poupar a cabra e a couve”. O risco para exportação? “Em França falta gado, vamos revitalizar a engorda”, sugere.

Um novo “parlamento reprodutor”, “tomada de decisão” segundo o ministério, terá lugar no final de Janeiro.

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