Policiais e investigadores no local do ataque depois que um homem esfaqueou várias pessoas em Romans-sur-Isère (Drôme), 4 de abril de 2020.

Falou-se muito sobre memória e esquecimento, sexta-feira, 31 de outubro, no julgamento do atentado de Romans-sur-Isère (Drôme). Este quinto dia de audiência no Tribunal Especial de Paris marcou o início dos depoimentos das vítimas deste ataque com faca que deixou dois mortos e cinco feridos, no dia 4 de abril de 2020. O início do interrogatório dos acusados ​​também. Mas como podemos julgar um homem que diz não se lembrar de nada?

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Este sábado de manhã, por volta das 8h20, em pleno confinamento devido à pandemia de Covid-19, um requerente de asilo sudanês, Abdallah Osman Ahmed, saiu de casa, como todos os dias, para comprar cigarros – Marlboros vermelhos – na tabacaria onde costumava frequentar. Depois regressou a casa, onde o esperava um amigo que o tinha vindo visitar na noite anterior porque Abdallah Osman Ahmed lhe tinha dito que não se sentia bem e ouvia vozes.

Duas horas e meia depois, às 10h45, voltou a apresentar-se sozinho no balcão da mesma tabacaria. Nas imagens de videovigilância, vemos o patrão entregar-lhe um pacote de Marlboro vermelho. O agressor empurra o pacote para o lado, pega uma faca e pula sobre o balcão, esfaqueando violentamente o lojista. Ele então corre em direção ao companheiro, a tabacaria corre em seu socorro, desfere vários golpes com uma bomba de gás lacrimogêneo na cabeça do agressor, este o esfaqueia novamente, quebra sua lâmina e sai da tabacaria, como se nada tivesse acontecido.

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