O número de mortos devido às inundações e deslizamentos de terra que atingiram a ilha indonésia de Sumatra aumentou para 950 mortos e 5.000 feridos, anunciou esta segunda-feira a Agência Indonésia de Gestão de Desastres (BNPB).
Além disso, 274 pessoas continuam desaparecidas após a catástrofe que atingiu três províncias de Sumatra, destruindo muitas casas, vias de comunicação e infra-estruturas públicas, informou a agência.
No total, mais de 1.800 pessoas morreram na Indonésia, Sri Lanka, Malásia, Tailândia e Vietname, na sequência de uma série de tempestades tropicais e chuvas de monções que causaram deslizamentos de terra e inundações repentinas.
O custo da reconstrução nas três províncias de Sumatra pode atingir o equivalente a 3,1 mil milhões de dólares, disse no domingo à noite Suharyanto, chefe da agência BNPB, que, como muitos indonésios, só tem um nome.
A província de Aceh, no extremo oeste de Sumatra, já gravemente devastada pelo tsunami de 2004, é a região mais afectada, com 386 mortes e centenas de milhares de pessoas deslocadas.

A província “carece de tudo, especialmente de pessoal médico. Faltam médicos”, disse o governador de Aceh, Muzakir Manaf, aos jornalistas no domingo à noite.
“Os medicamentos são importantes. Assim como as necessidades básicas”, acrescentou.
Uma grande parte da Ásia vive actualmente o pico da época das monções, essencial em particular para o cultivo do arroz, mas também frequentemente causa de inundações.
Especialistas dizem que as mudanças climáticas estão causando chuvas mais intensas porque uma atmosfera mais quente contém mais umidade e as temperaturas mais altas nos oceanos podem amplificar as tempestades.
Na Indonésia, ambientalistas, especialistas e até mesmo o governo destacaram a responsabilidade do desmatamento nas inundações repentinas e deslizamentos de terra em Sumatra.
– Duplicação da implantação no Sri Lanka –

No Sri Lanka, atingido por um ciclone devastador que matou 627 pessoas em todo o país, o exército declarou na segunda-feira que quase duplicou o número de tropas mobilizadas para ajudar as vítimas.
Mais de dois milhões de pessoas – quase 10% da população – foram afectadas pelo ciclone Ditwah. O Sri Lanka espera mais fortes chuvas de monções na segunda-feira, incluindo a região central mais atingida, disse o Centro de Gestão de Desastres (DMC), que relatou mais deslizamentos de terra.
O chefe do Exército Lasantha Rodrigo anunciou que 38.500 forças de segurança foram destacadas para aumentar o apoio às áreas atingidas por inundações e deslizamentos de terra.

“Quase duplicámos a mobilização, pois agora estamos empenhados na reconstrução de estradas, pontes e também na ajuda à limpeza de poços de água potável contaminados pelas cheias”, disse à AFP o porta-voz do exército, Waruna Gamage.
A região central produtora de chá do país foi a mais atingida, com 471 mortes relatadas, segundo dados oficiais.
O Presidente Anura Kumara Dissanayake descreveu o desastre natural como o mais difícil que o Sri Lanka já enfrentou.