Promover o diálogo social enquanto a democracia parlamentar atravessa tempos tumultuosos. Sexta-feira, 5 de dezembro, o governo deu início à conferência sobre trabalho, emprego e pensões no Conselho Económico, Social e Ambiental (CESE), em Paris. Coincidentemente, esta iniciativa, desejada pelo Primeiro-Ministro, Sébastien Lecornu, para tentar ultrapassar os recorrentes psicodramas que rodeiam o futuro dos nossos planos de pensões, foi lançada poucas horas antes de os deputados abordarem esta questão candente, no âmbito da análise do projecto de orçamento da Segurança Social – com o “suspensão” da reforma de 2023.
Para o executivo, a conferência em questão é um exercício livre, sem obrigação de resultados, exceto a de disputar “debates de qualidade”segundo a fórmula de Jean-Pierre Farandou. O Ministro do Trabalho compareceu sexta-feira à CESE com o seu colega responsável pela função pública, David Amiel, para detalhar os termos e o espírito da abordagem. Trata-se de uma espécie de fórum que se realizará, em princípio, até ao verão de 2026, atribuindo o protagonismo às organizações de trabalhadores e empregadores. A reflexão será orquestrada por três “fiadores” cujo pedigree deveria permitir abraçar estas questões em toda a sua complexidade: Jean-Denis Combrexelle, ex-diretor geral do trabalho, Anne-Marie Couderc, ex-presidente da Air France, e Pierre Ferracci, fundador do grupo Alpha especializado em consultoria social.
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