Um juiz federal norte-americano ordenou, sexta-feira, 5 de dezembro, o levantamento do sigilo judicial do processo contra o criminoso sexual Jeffrey Epstein na Florida, onde foi condenado em 2008 a uma pena de prisão.
Esta decisão inusitada de publicar depoimentos recolhidos por um grande júri, cuja confidencialidade é normalmente muito protegida, deve-se à adoção, em novembro, de uma lei destinada a garantir a maior transparência sobre o caso Epstein, explicou o juiz na sua decisão.
Esta legislação exige que o Departamento de Justiça torne públicos, até 19 de dezembro, todos os documentos não confidenciais em sua posse sobre Jeffrey Epstein, a sua cúmplice Ghislaine Maxwell, que cumpre uma pena de prisão de vinte anos, e todas as pessoas envolvidas no processo judicial.
Estes incluem documentos sobre o processo que levou à sua condenação, em 2008, na Flórida, a pouco mais de um ano de prisão por usar prostitutas menores e solicitar ou incitar a solicitação, bem como a sua acusação federal em Nova Iorque por acusações mais graves de exploração sexual de menores. Pedidos anteriores do Ministério da Justiça para levantar o sigilo destes documentos foram rejeitados.
Donald Trump ainda em crise
Donald Trump, numa nova tentativa de extinguir o fogo latente dentro da sua base eleitoral sobre esta questão, instruiu expressamente a sua Ministra da Justiça, Pam Bondi, a solicitar a sua publicação.
A morte de Jeffrey Epstein, encontrado enforcado na sua cela em Nova Iorque, em 10 de agosto de 2019, antes de ser julgado por crimes sexuais, alimentou inúmeras teorias conspiratórias segundo as quais ele teria sido assassinado para encobrir um escândalo envolvendo figuras de destaque.
Donald Trump, que durante meses prometeu à sua base revelações devastadoras sobre esta questão, sofreu uma reacção negativa, inclusive no seu próprio campo, desde que o seu governo anunciou, em Julho, que não tinha descoberto nenhum elemento novo que justificasse a publicação de documentos adicionais.