O número de animais que vivem no fundo do mar caiu 37% numa zona de exploração mineira em alto mar, segundo um estudo publicado sexta-feira sobre o impacto desta atividade na biodiversidade.
A pesquisa, realizada ao longo de cinco anos, é considerada a mais aprofundada até o momento sobre os impactos das máquinas de mineração em águas profundas.
Estas máquinas exploram fundos marinhos até então intocados para extrair matérias-primas como níquel, cobalto e cobre, utilizadas tanto em baterias recarregáveis como em equipamentos tecnológicos militares.
O estudo centra-se na Zona Clarion-Clipperton (CCZ), no Oceano Pacífico, que é objeto de um projeto de mineração.

O estudo foi realizado por cientistas do Museu de História Natural do Reino Unido, do Centro Nacional de Oceanografia e da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.
Eles compararam o estado da biodiversidade dois anos antes e dois meses depois de um ensaio de exploração mineira.
A pesquisa se concentrou em animais que medem entre 0,3 mm e 2 cm, como minhocas e conchas.
Nas pegadas deixadas pelo veículo, o número de animais caiu 37%.
Os países estão actualmente a debater no seio desta autoridade as regras a estabelecer para as indústrias mineiras.
Um tratado das Nações Unidas sobre o alto mar deverá entrar em vigor em Janeiro de 2026, com o objectivo de proteger os oceanos, já ameaçados pela poluição e pela pesca excessiva.
Ainda não foram emitidas licenças para mineração comercial em águas internacionais, mas alguns países começaram ou estão a preparar-se para iniciar a exploração em águas dentro das suas zonas económicas exclusivas.

As Ilhas Cook, em cooperação com a China, concederam licenças de exploração a três empresas em 2022.
A Metals Company, com sede no Canadá, pretende explorar as águas internacionais do Pacífico sem a aprovação da Autoridade dos Fundos Marinhos, apoiando-se numa lei dos EUA restabelecida pelo Presidente Donald Trump.
A Noruega, que fez barulho ao se tornar o primeiro país da Europa a decidir abrir o seu fundo marinho à atividade mineira, pelo contrário, anunciou na quarta-feira o adiamento por quatro anos da concessão das primeiras licenças de exploração.