Foi necessária a obstinação de um juiz de instrução, a combatividade de um advogado, uma nova equipa à frente da Inspecção Geral da Polícia Nacional (IGPN) e o remorso de ter mentido por parte de um brigadeiro da polícia para que, sete anos depois de ter a cabeça esmagada por agentes da polícia, Maria – o seu primeiro nome assumido nos meios de comunicação – finalmente encontrasse esperança.
Responsável por este emblemático caso de violência policial, designado como “totalmente ilegítimo” pelo tribunal de recurso, a juíza de instrução de Marselha, Karine Lebrun, indiciou, quinta-feira, 4 de dezembro, dois agentes da polícia, na altura membros de uma das brigadas anti-crime de Marselha, a BAC Nord.
Pela primeira vez, um funcionário público na casa dos trinta anos, agora lotado no BAC de Toulon, foi indiciado pela violência cometida contra Maria, agravada por três circunstâncias: “por titular de autoridade pública”, “em reunião” e “com uso de arma”. Embora o Ministério Público tenha solicitado a sua colocação em prisão preventiva, o juiz de liberdades e detenção (JLD) optou, durante a noite de quinta para sexta-feira, por uma revisão judicial.
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