Em França, mais de um em cada cinco adultos tem uma hipercolesterolemiade acordo com o estudo nacional Esteban realizado pela Public Health France. Esse excesso de colesterol “ruim” (LDL) é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, principal causa de mortalidade no mundo. Apesar dos tratamentos existentes, muitos pacientes não conseguem normalizar os seus níveis. Uma notícia estudo clínico internacional, publicado no Jornal de Medicina da Nova Inglaterrarevela a eficácia de uma medicação oral diária, testada em pacientes de alto risco.
Um efeito duplo sobre LDL e lipoproteína(a)
O medicamento testado, obicetrapib, foi administrado durante 12 semanas a mais de 2.500 pacientes com alto risco cardiovascular. Os pesquisadores observaram uma redução média de 32,6% no colesterol LDL e uma redução de 33,5% na lipoproteína(a), marcador ainda pouco conhecido, mas fortemente ligado ao risco de infarto e infarto.AVC.
Esta dupla ação não tem precedentes: embora os tratamentos atuais muitas vezes permitam reduzir o LDL, são geralmente ineficazes na lipoproteína(a), para a qual não existe atualmente uma opção terapêutica amplamente aprovada. Porém, segundo os pesquisadores, é justamente nos pacientes com essas duas anomalias que o risco cardiovascular é maior.

O colesterol é dividido em dois tipos: LDL ou “colesterol ruim” que deve ser reduzido para se manter saudável e HDL, o colesterol bom. © Saiful52, Shutterstock
Maior eficácia em combinação com ezetimiba
Um segundo ensaio randomizado em dois grupos, publicados em A Lanceta e realizado em 48 centros nos Estados Unidos, avaliou os efeitos de uma combinação fixa de obicetrapib (10 mg) e ezetimiba (10 mg), outro medicamento hipolipemiante.
Os resultados são ainda mais encorajadores: esta combinação permitiu uma redução média de 48,6% do colesterol LDL em 84 dias, em comparação com 31,9% para o obicetrapib isoladamente e 20% para a ezetimiba isoladamente.
O estudo, realizado em mais de 400 pacientes com alto risco cardiovascular ou com hipercolesterolemia familiar, mostra que este terapia dupla é bem tolerado, com uma taxa de efeitos adversos comparável à de cada medicamento tomado separadamente.
Estes dados sugerem que a combinação pode oferecer uma opção terapêutica oral eficaz e segura, particularmente para pacientes que já possuem tratamento otimizado, mas ainda insuficiente.
O obicetrapib, isoladamente ou em combinação com a ezetimiba, abre perspectivas promissoras para pacientes em falha terapêutica ou intolerantes a tratamentos padrão, como as estatinas. Resta confirmar estes resultados a longo prazo e demonstrar o seu real impacto clínico na redução de eventos cardiovasculares major.