As pegadas estão tão bem conservadas que temos a impressão de que foram deixadas ontem… Os animais que as fizeram desapareceram há 66 milhões de anos! O sítio Carreras Pampa no Parque Nacional Torotoro, na Bolívia, é conhecido pelos cientistas há várias décadas. As primeiras pegadas de dinossauros foram descobertas lá em 1968.
Mas um estudo publicado na revista Plos Um acaba de revelar a verdadeira escala do site e seu incrível valor para paleontólogos.
Um testemunho fóssil excepcional
Um estudo aprofundado revelou a presença de 16.600 gravuras de diversas origens, tornando este conjunto o mais rico já descrito. Além das pegadas de aves, os investigadores catalogaram de facto uma surpreendente variedade de vestígios deixados pelos dinossauros terópodes que viveram no final do Cretáceo: caminhar, correr, nadar, vestígios de cauda… foram identificados nada menos que 1.321 rastos contínuos!

No sítio de Carreras Pampa, na Bolívia, foram descobertas nada menos que 16.600 pegadas de dinossauros. © Esperante e al. 2025, Plos Um
O tamanho das estampas varia de menos de 10 centímetros a mais de 30 centímetros de largura, revelando os comportamentos de uma grande diversidade deespécies de dinossauros num ambiente muito diferente daquele que caracteriza a Bolívia hoje! Porque se Carreras Pampa hoje está na cordilheira dos Andes, a 2.700 metros de altitude, há 66 milhões de anos o local era… à beira-mar!
Numerosas pistas geológicas atestam que se trata de um antigo ambiente costeiro ou lagunar. A elevada densidade de pegadas indica também que esta costa deve ter sido uma verdadeira autoestrada, os trilhos paralelos sugerem que grupos inteiros de dinossauros atravessavam a área a pé… ou a nadar!
Se hoje o sítio Carreras Pampa está situado a 2.700 metros de altitude, há 66 milhões de anos era uma praia. © Esperante e al. 2025, Plos Um
Trilhas de dinossauros nadadores
Marcas muito particulares foram, de fato, interpretadas como vestígios deixados por dinossauros nadando em águas rasas, impulsionando-se com suas garras no fundo macio e lamacento. A grande maioria das estampas segue a mesma direção, hoje voltada NÃO-SE, correspondendo certamente à antiga orientação da linha de costa.
Essas marcas de garras são interpretadas como rastros deixados por dinossauros nadando em águas rasas. © Esperante e al. 2025, Mais um
Estes novos resultados colocam, sem dúvida, a Bolívia – já conhecida pelas suas numerosas pegadas de dinossauros – num nível ainda mais elevado na matéria de importância científica. Os autores também assumem que as descobertas estão longe de estar completas, neste local ou noutros do país.