Dizem que os olhos são a janela da alma… Quando na verdade são o espelho da nossa saúde! Com efeito, estudos recentes mostram que observar o olho permitir-nos-ia ter uma ideia geral do estado de saúde de uma pessoa: por exemplo, uma acumulação de proteína amilóide nas células em contacto com o nervo óptico seria um bom indicador da doença de Alzheimer, enquanto movimentos anormais dos globos oculares indicariam antes o início da doença de Parkinson.

Um estudo acrescenta uma nova função diagnóstica: estudar a vascularização da retina permitiria saber se o sistema cardiovascular está funcionando normalmente ou não. Publicado em 24 de outubro de 2025 na revista Avanços da Ciência realizado por investigadores da Universidade de Edimburgo (Escócia) e da Universidade McMaster (Canadá), este estudo vai ainda mais longe e expõe os mecanismos moleculares que explicam esta ligação entre a retina e a saúde. Esta análise da retina permitiria ainda determinar se uma pessoa corre risco de envelhecimento prematuro.

Olhe para a retina para ver o estado de saúde

Esta abordagem baseia-se na análise da rede de pequenos vasos sanguíneos que irrigam a retina. Quanto mais densa e complexa for esta rede, mais eficiente é a vascularização deste órgão e mais isso reflete um sistema cardiovascular saudável. Estudos anteriores tinham de facto demonstrado que o envelhecimento provoca um declínio nesta densidade vascular, e que uma baixa densidade desta rede está associada a doenças relacionadas com a idade, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou declínio cognitivo.

A vascularização da retina reflete a saúde do sistema cardiovascular

Mas será que esta associação se deve apenas ao facto de a pessoa envelhecer e todo o seu corpo se deteriorar, ou existem ligações causais mais fortes entre a saúde geral e a saúde da retina? Para determinar isto, os investigadores estudaram as ligações entre a genética e a densidade vascular da retina, analisando de perto o genoma de mais de 70.000 pessoas das quais também tinham imagens deste órgão. Esta análise destacou oito mutações genéticas que parecem influenciar a vascularização deste órgão. Fisiologicamente, essas mutações modificariam a expressão de diversos genes, segundo análise dos pesquisadores. Este efeito foi então verificado através da análise da concentração no sangue das proteínas codificadas por estes genes.

Assim, mostraram que mutações genéticas associadas ao nível de vascularização da retina modulavam a concentração de proteínas associadas à inflamação, à saúde cardiovascular e ao envelhecimento. Uma análise mais aprofundada permitiu então elucidar os mecanismos moleculares pelos quais estas proteínas afetam a saúde, mostrando que se trata de facto de um nexo causal.

A retina é um espelho do nosso envelhecimento

Estes resultados mostram duas coisas: primeiro, que as proteínas que influenciam a vascularização da retina também desempenham um papel importante na saúde mais geral do indivíduo, e que uma queda anormal na vascularização da retina pode ser um bom indicador de uma perturbação nestas proteínas e, portanto, do estado inflamatório do corpo, e mais especificamente do sistema cardiovascular.

Portanto, dada a ligação entre inflamação e envelhecimento, estudar os vasos sanguíneos da retina poderia ajudar a saber se uma pessoa corre maior risco de envelhecimento prematuro, se corre maior risco de desenvolver doenças relacionadas com a idade e se a sua esperança de vida poderia assim ser reduzida. Esta abordagem permitir-nos-ia ter uma boa visão do futuro da pessoa (do ponto de vista da sua saúde), apenas olhando nos seus olhos.

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