
Nur Apsyah enfrentou o calor opressivo para fazer fila sob o sol escaldante em Sumatra, uma região indonésia devastada por inundações. Mas ela é uma das sortudas que conseguiu obter ajuda alimentar, embora fosse rara.
Centenas de pessoas aglomeraram-se em frente a um armazém na quarta-feira nos arredores de Sibolga, uma cidade costeira no norte de Sumatra, quase totalmente isolada do mundo devido a danos nas estradas de acesso.
“Nunca tínhamos visto isto em Sibolga antes”, testemunha a jovem de 28 anos, que espera com os pais enquanto soldados em uniforme militar mantêm a ordem e supervisionam a distribuição de arroz.
Quase 800 pessoas morreram em Sumatra depois que inundações e deslizamentos de terra soterraram casas, destruíram pontes e cortaram estradas.
A cidade portuária de Sibolga, no distrito central de Tapanuli, escapou aos piores danos, mas está agora isolada do mundo pelos danos nos seus arredores.
Os moradores vêm estocar combustível, água e alimentos em um armazém de propriedade da Bulog, empresa estatal de abastecimento de alimentos localizada na periferia. Mas os recursos estão a esgotar-se perigosamente.
Nur fala em situação de “emergência”, garantindo que lojas de conveniência da cidade foram recentemente saqueadas.
“Pessoas que não deveriam ter feito isto fizeram-no porque não recebem qualquer ajuda das autoridades”, acrescenta ela.
O Ministro Coordenador do Desenvolvimento Humano e Cultura da Indonésia, Pratikno, disse quarta-feira que a distribuição de arroz aos residentes fazia parte dos seus esforços para “aliviar o fardo da população”.
Em Sibolga, quem teve a sorte de receber uma ajudinha deve mergulhar o dedo na tinta para evitar a dupla distribuição.
Alguns homens carregam sacos de arroz de 50 quilos nas costas, enquanto as mulheres os carregam na cabeça.
As filas do lado de fora do armazém e das bombas de combustível começaram a diminuir, mas as previsões de mais chuva reacenderam os temores de mais danos e escassez.
– Seis horas na fila –
Muitas lojas da cidade permanecem fechadas por falta de energia elétrica. Os poucos ainda abertos dependem de geradores.
Sahmila Pasaribu é uma daquelas moradoras que passam horas procurando itens de primeira necessidade. Mas mesmo que ela tivesse dinheiro, “não há nada para comprar”.
“É triste que por causa de tal desastre tudo tenha ficado escasso: combustível, arroz, óleo de cozinha”, lamenta esta mulher de 55 anos.
Num escritório da companhia de águas pertencente ao município, Sopian Hadi enche latas enquanto a espera se prolonga diante deste raro ponto de água.
Ele vai lá regularmente há uma semana porque a água foi cortada em sua casa.
“Precisamos de água para o nosso dia a dia, é a nossa fonte de vida”, afirma o proprietário de uma mercearia, de 30 anos, que apela às autoridades para que atuem com urgência.
Não é só a água que falta e o homem explicando que teve que esperar seis horas na fila para abastecer a moto.
Contudo, Sopian recusa-se a afundar: “Não estou desesperado, porque para sobreviver, (nós) não podemos desesperar”.