O primeiro-ministro anunciou na quarta-feira uma “missão” para avaliar o custo das energias renováveis ​​para as finanças públicas, no meio de um debate sobre o futuro energético de França.

Esta missão dedicada a “optimizar o apoio público às energias eléctricas renováveis ​​e ao armazenamento de electricidade” foi confiada a Jean-Bernard Lévy, antigo CEO da EDF, o gigante nuclear francês, e ao alto funcionário Thierry Tuot, Conselheiro de Estado. Suas conclusões são esperadas dentro de 3 meses.

“Num contexto orçamental exigente e face à crescente maturidade dos sectores, a missão terá como objectivo propor um modelo de apoio mais eficaz, mais sustentável e melhor partilhado entre actores públicos e privados”, explica Matignon.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu participa de uma sessão de perguntas ao governo no Senado, em 26 de novembro de 2025, em Paris (AFP - GEOFFROY VAN DER HASSELT)
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu participa de uma sessão de perguntas ao governo no Senado, em 26 de novembro de 2025, em Paris (AFP – GEOFFROY VAN DER HASSELT)

Em Outubro, Sébastien Lecornu deu o tom, indicando que queria reexaminar “a forma como o dinheiro público é utilizado” para financiar as energias renováveis.

O assunto é politicamente elétrico. Nos últimos meses, o custo do apoio público ao desenvolvimento das energias renováveis ​​tornou-se objecto de debates acalorados entre parlamentares pró-renováveis ​​e pró-nucleares.

Durante a análise de um projeto de lei, uma moratória à instalação de novas capacidades de energia eólica e solar foi mesmo votada na Assembleia Nacional, por iniciativa de um deputado de Les Républicains, apoiado pelo Rally Nacional, antes de ser destituído.

Sébastien Lecornu se reuniria com Marine Le Pen, líder dos deputados do RN que se opõem à energia eólica e solar, quarta-feira em Matignon. “Nenhuma ligação” contudo com esta auditoria, nem “sinal político”, sublinham os serviços do primeiro-ministro.

– Preços negativos –

O governo quer rever o apoio público às energias renováveis ​​(AFP/Arquivos - CHRISTOPHE SIMON)
O governo quer rever o apoio público às energias renováveis ​​(AFP/Arquivos – CHRISTOPHE SIMON)

Hoje, as centrais solares e eólicas beneficiam maioritariamente de contratos com o Estado, garantindo um preço fixo ao produtor, o que tem permitido apoiar o crescimento do setor.

Mas no actual contexto de fraca procura de electricidade, as centrais eólicas e solares podem gerar excedentes de electricidade, por vezes acompanhados de preços negativos. Este fenómeno pesa nas finanças públicas porque o Estado deve pagar ao produtor a diferença entre o preço de mercado e o preço de referência.

Estes mecanismos de apoio representam “hoje um grande compromisso financeiro para as autoridades públicas”, estimado em 8,2 mil milhões de euros na fatura financeira de 2026, sublinha Matignon, que considera o seu desenvolvimento “indispensável”.

“Depois de vários anos de aceleração (…) há um desejo de colocar as coisas de volta nos trilhos”, disse uma fonte de Matignon à AFP.

A missão terá, nomeadamente, de propor caminhos “para implementar mais flexibilidade e armazenamento” por baterias, a fim de melhor integrar as energias renováveis ​​pela sua natureza intermitente na rede eléctrica.

Lévy trará as suas competências industriais, como o antigo chefe do gigante nuclear EDF, cuja diversificação em energias renováveis ​​também liderou, argumenta Matignon. Thierry Tuot foi o primeiro diretor-geral da Comissão Reguladora de Energia (CRE) e “por isso apoiou hoje o estabelecimento do sistema energético”.

Em princípio, os sindicatos das energias renováveis ​​não se opõem a esta auditoria que deverá permitir pôr fim às situações de “aluguel”. Mas a ausência de energia nuclear neste estudo levanta questões. “O custo da energia nuclear é, por definição, o mais importante”, sublinha Daniel Bour, do sindicato Enerplan.

O presidente da União das Energias Renováveis ​​(SER) Jules Nyssen falou de uma “provocação”, ironizando o facto de “em termos de custos”, o reactor EPR de Flamanville, “em grande parte executado” quando Lévy “era CEO da EDF, é um bom exemplo”.

No entanto, o governo não pretende esperar a conclusão desta obra para implementar os seus projetos energéticos. O executivo está a trabalhar em medidas para baixar os preços da eletricidade e acelerar a eletrificação dos usos – o ato de substituir os combustíveis fósseis por eletricidade renovável ou nuclear, que é livre de carbono.

Ao mesmo tempo, o governo continua as consultas aos parlamentares para publicar a “programação energética plurianual”, o roteiro energético que já está com dois anos de atraso. Matignon promete uma decisão “durante dezembro”.

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