Marius Vizer, presidente da Federação Internacional de Judô, no Grand Slam de Paris, na Accor Arena, 1º de fevereiro de 2025.

Putinófilo convencido

É uma “inovação” que abala o esporte mundial, muito além dos tatames. A Federação Internacional de Judô (IFJ) anunciou no dia 27 de novembro que autorizaria mais uma vez os russos a competir, com “hino” e “bandeira”, durante torneios internacionais. “A Rússia sempre foi uma nação líder no mundo do judô e seu retorno total deve enriquecer a competição”, exultou a IFJ em um comunicado à imprensa. Raiva entre os ucranianos, mas relativa surpresa: Marius Vizer, à frente da federação desde 2007, é próximo do presidente russo, Vladimir Putin. Em 2008, este romeno de 67 anos concedeu-lhe mesmo o título de presidente honorário da FIJ – retirado após a invasão da Ucrânia em 2022. “Distinguido e reconhecido judoca, chefe de estado de um país líder, Vladimir Putin é o embaixador perfeito do nosso esporte”, ele então justificou.

Inimigo do COI

Esta recente decisão é uma pedra no jardim do Comité Olímpico Internacional (COI), que só permite que os atletas russos participem nos Jogos Olímpicos como atletas neutros, ao mesmo tempo que deixa às federações a liberdade de estabelecerem as suas regras para as suas próprias competições. Marius Vizer reafirma assim a sua independência face a uma instituição que gosta de abalar. Oponente do ex-presidente do COI, Thomas Bach (2013-2025), o romeno descreveu, em 2015, o COI como “desatualizado, falso e nada transparente”. À frente da SportAccord, entidade que reúne cerca de uma centena de federações desportivas e que dirigiu de 2013 a 2015, tentou organizar Jogos Mundiais que concorressem com as edições olímpicas. Com relativo sucesso: teve que renunciar após a saída contundente de diversas federações que discordavam de sua linha.

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