A Agência de Medicamentos dos EUA (FDA) anunciou na terça-feira que pretende limitar as experiências realizadas em macacos para testar certos tratamentos, como parte dos esforços da administração Trump para restringir o uso de animais para fins científicos.

“A ciência moderna oferece-nos formas muito mais eficazes e humanas de avaliar a segurança dos medicamentos”, assegurou Marty Makary, chefe da FDA, num comunicado de imprensa.

Segundo ele, certos testes atualmente realizados em primatas para garantir a segurança dos chamados anticorpos monoclonais antes da sua comercialização poderiam ser eliminados ou reduzidos e substituídos por outras técnicas, nomeadamente a modelação computacional.

Fabricados especificamente para tratar uma doença, estes anticorpos são utilizados no tratamento de cancros ou de várias doenças, como a doença de Crohn.

Tal mudança “poderia reduzir o tempo necessário para colocar um medicamento no mercado e reduzir os custos de investigação e desenvolvimento”, insistiu Makary, que se comprometeu em Abril a garantir que os testes em animais fossem limitados.

Seu anúncio foi amplamente bem recebido pelas associações de direitos dos animais.

Este é um “passo importante”, disse à AFP Zaher Nahle, da ONG Centro para uma Economia Humana, sublinhando que “podemos obter resultados pelo menos equivalentes, ou até melhores” em termos de previsão toxicológica “com outras abordagens”.

Uma posição partilhada por Deborah Fuller, diretora do Washington National Primate Research Center, um instituto que realiza experiências médicas em primatas.

Ficar sem macacos neste contexto específico “me parece perfeitamente razoável”, disse ela à AFP, pedindo cautela.

“Se formos demasiado rápido, daremos um tiro no pé, porque quando se trata de tratamentos futuros e avanços biomédicos, ainda precisamos de animais”, insiste, observando que atualmente os métodos alternativos não são suficientemente eficientes para substituir todos estes testes.

Vários animais – principalmente ratos, mas também, em menor grau, macacos e até cães – são utilizados em investigação, especialmente em neurociência e imunologia, ou para testar a eficácia e segurança de vacinas e medicamentos.

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