Numa entrevista recente, Elon Musk reafirmou o seu objetivo final: transformar o X numa cópia melhorada do WeChat. Ele quer recriar o sucesso fenomenal da aplicação chinesa em escala global. Só que copiar uma anomalia cultural chinesa para impô-la ao Ocidente é um desafio que ninguém aceitou.

Elon Musk é teimoso. Sabíamos disso para foguetes, sabíamos disso para carros elétricos. Mas a sua obstinação em querer transformar “WeChat++” pertence a outra dimensão. Em conversa com o investidor Nikhil Kamath, o bilionário foi inflexível ao afirmar que quer preencher o vazio. Ele quer que o X se torne o aplicativo multifuncional do mundo ocidental.

A observação de Elon Musk é simples: na China, WeChat é essencial. É um controle remoto para a vida real. A gente conversa lá, paga o aluguel lá, pede macarrão lá e brinca lá. Elon Musk adora. Ele comprou o Twitter para 44 bilhões de dólares com esta visão única em mente: ter a base de usuários para construir esta catedral. Mas aí está: todo mundo já tentou. Mark Zuckerberg tentou com o Messenger. Travis Kalanick tentou com o Uber. Todos eles falharam.

Por que Musk teria sucesso onde todos os gigantes da tecnologia falharam?

A anomalia chinesa é única

Para entender a escala do desafio, é preciso ver o que o WeChat realmente é. Não foi um aplicativo que venceu, foi um ecossistema que substituiu a web. A China pulou a fase do PC e do cartão bancário para ir diretamente para smartphone e em Código QR. O WeChat preencheu um vazio infraestrutural.

No Ocidente? É o oposto. O mercado está saturado. Já temos hábitos arraigados. Você quer pagar? Você tira o seu Visa ou você usa Apple Pague. Você quer conversar? É WhatsApp ou iMessage. Você quer informações? É o Google. O “vazio” que Elon Musk quer preencher não existe aqui realmente. Temos aplicativos especializados em que cada um faz seu trabalho muito bem. Elon Musk quer nos forçar a usar um canivete suíço quando temos uma caixa de ferramentas completa.

O problema se chama Apple e Google

Mas o principal obstáculo não é apenas cultural. É estrutural. WeChat funciona graças a “miniprogramas”milhões de aplicativos pequenos e leves executados no WeChat. É uma App Store dentro do aplicativo.

Porém, no Ocidente, os guardiões do templo são chamados Maçã E Google. Suas regras são rígidas: é estritamente proibido criar uma loja de aplicativos concorrente dentro de um aplicativo iOS ou Android. Se X começar a vender serviços de terceiros por meio de miniaplicativos sem pagar comissão 30%a Apple fechará a torneira. É tão simples. O WeChat conseguiu crescer porque o ecossistema Android na China está fragmentado e sem a Google Play Store. Aqui, o duopólio está travado.

Confiança, os verdadeiros tendões da guerra

Finalmente, há a questão do dinheiro. Para se tornar WeChat, X deve se tornar um banco. Musk confirmou: quer criar um “banco de dados de fundos” e fechou parceria com Visa.

A questão é brutal: você confia em X? Confiaria o seu salário a uma plataforma cujo atendimento ao cliente é quase inexistente, cuja moderação é imprevisível e que muda as regras de acordo com o humor do seu dono? O WeChat é apoiado pela Tencent e, em última análise, pela estabilidade da estrutura chinesa. X é visto como uma plataforma caótica. Pedir aos usuários que vinculem suas contas bancárias ao polêmico feed de notícias políticas é uma aposta arriscada.

Elon Musk provou com a SpaceX que poderia alcançar o tecnicamente impossível. Mas não se trata de física ou engenharia. É sobre sociologia e hábitos de consumo. E, no momento, ninguém conseguiu a façanha de mudar a opinião do Ocidente sobre os superaplicativos.


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