Logotipo da TotalEnergies em La Défense (Hauts-de-Seine), 28 de maio de 2021.

O Reino Unido anunciou, segunda-feira, 1er Dezembro, retirar o apoio financeiro de até 1,15 mil milhões de dólares ao polémico projecto de gás liderado pela TotalEnergies em Moçambique, suspenso após um ataque jihadista em 2021, alegando riscos acrescidos.

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“O Governo de Sua Majestade considera que estes riscos aumentaram desde 2020”explicou o ministro do Comércio britânico, Peter Kyle, numa declaração ao Parlamento. “O financiamento britânico deste projeto não servirá os interesses do nosso país”acrescentou.

A TotalEnergies é alvo de dois processos judiciais no âmbito deste projeto, suspensos na sequência de um sangrento ataque jihadista na cidade vizinha de Palma, em 2021, que deixou cerca de 800 mortos, segundo a ONG Acled. Gestora de projetos e maior acionista com 26,5% das ações, a gigante francesa dos hidrocarbonetos espera retomar a produção no local em 2029, o que representa um investimento de 20 mil milhões de dólares.

No final de Outubro, exigiu ao governo de Moçambique uma compensação pelos custos adicionais ligados ao atraso, que estimou em 4,5 mil milhões de dólares, bem como uma prorrogação da concessão por dez anos, além de compensar os quatro anos e meio perdidos.

Queixa em Paris por “cumplicidade em crimes de guerra”

A insurgência na província moçambicana de Cabo Delgado, no norte deste país da África Austral, liderada por um grupo afiliado à organização Estado Islâmico, já provocou mais de 6.300 mortos desde 2017, segundo uma contagem da Acled.

A gigante francesa dos hidrocarbonetos está a ser alvo de uma investigação judicial em França por homicídio involuntário, após denúncias de sobreviventes e familiares de vítimas do ataque de Palma, que a acusam de não ter garantido a segurança dos seus subcontratantes. Os soldados moçambicanos responsáveis ​​pela protecção do local na altura também foram acusados ​​de abusos fatais contra moradores, segundo testemunhos recolhidos pelo Politico.

A TotalEnergies é neste contexto alvo em Paris de uma denúncia por “cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimentos forçados”, apresentada pela ONG alemã Centro Europeu dos Direitos Constitucionais e Humanos.

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O projeto TotalEnergies, liderado pela italiana ENI e outro pela ExxonMobil, “poderia fazer de Moçambique um dos dez maiores produtores do mundo [de gaz], contribuindo para 20% da produção africana até 2040 »de acordo com um relatório da Deloitte.

O mundo com AFP

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