Quanto custou o fiasco do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes (Loire-Atlantique), um projeto que alinhou procedimentos de expropriação e operações de despejo com esquadrões de força da gendarmaria, antes do seu abandono pelo Estado em 17 de janeiro de 2018? Nesta fase, a questão está fadada a alimentar conjecturas intermináveis. No que diz respeito ao processo do aeroporto de Nantes, o Tribunal de Contas preferiu contornar esta questão “Himalaias de dificuldades”para usar uma expressão que floresceu na cúpula do Estado, num relatório publicado no sábado, 29 de novembro. Ainda que aqui e ali, os magistrados destilam alguns números, como os 56 milhões de euros de subsídios públicos injetados no projeto abortado, de um total previsto de 139 milhões de euros.
O Tribunal de Contas procurou realçar “dificuldades operacionais” da plataforma Nantes-Atlantique existente. Destaca o seguinte paradoxo: o decreto ministerial de 24 de outubro de 2019 pronunciou a rescisão do contrato de concessão de infraestruturas, celebrado em 2010 em benefício da Aéroports du Grand Ouest (AGO), empresa detida em 85% pelo grupo Vinci. Mas o referido documento “continua a ser aplicado até hoje”enquanto se aguarda a assinatura de um novo contrato de concessão. Que, previsto para 2021, é agora anunciado para o final de 2026, depois de um primeiro concurso sem sucesso. A situação ilustra os numerosos reveses que prejudicam o processo, apesar de ter sido considerado uma prioridade pelo governo.
Você ainda tem 62,93% deste artigo para ler. O restante é reservado aos assinantes.