Imprimir o casco de um barco em poucos dias com garrafas recicladas ou compósitos ultrarresistentes: a promessa parece uma loucura. No entanto, nos Países Baixos, empresas como a CEAD e a Raw Idea estão a provar que a produção aditiva marítima já não é um conceito, mas sim uma realidade operacional.

A indústria da construção naval é um negócio antigo, muitas vezes dificultado por processos manuais lentos, moldes caros e uma força de trabalho difícil de recrutar. E se a solução viesse de um bocal de impressão gigante? Este é o desafio da produção aditiva, que promete quebrar as barreiras da construção tradicional.

Mas, além do efeito moda, será que essa tecnologia é realmente viável para ser levada ao mar?

Economia de tempo incrível (e custos reduzidos)

O forte argumento para a impressão 3D é a velocidade. Cofundador do CEAD em Delft, Maarten Logtenberg apresenta um número estonteante: a sua fábrica automatiza 90% do processo de construção.

Comparado a um estaleiro típico que passa semanas moldando um casco, a impressora 3D do CEAD dobra a coisa em quatro dias. “Normalmente leva semanas para construir um casco. Agora imprimimos um toda semana”ele resume. Para a marinha holandesa, a empresa entregou um protótipo de 12 metros em apenas seis semanas, um atraso impensável nos circuitos de armas convencionais.

Solidez no encontro: o teste em massa

Longe da imagem do plástico frágil impresso em 3D, o maior desafio tem sido a química dos materiais. Após dois anos de pesquisa e desenvolvimento, a mistura utilizada (termoplásticos e fibra de vidro) apresenta uma resistência surpreendente.

Como prova: um teste brutal com uma marreta em uma amostra deixou apenas um arranhão. Além de ser resistente, este material não necessita de nenhum revestimento adicional contra UV ou incrustações marinhas. Este é um grande avanço que torna estes barcos verdadeiramente capazes de enfrentar condições difíceis.

Flexibilidade tática versus ecologia pública em geral

Esta tecnologia atende a duas necessidades opostas. A primeira diz respeito à agilidade militar e à NATO. Como a impressora cabe em um contêiner de transporte, ela pode ser transportada para uma zona de conflito e impressa em drones náuticos sob demanda, mudando o design em questão de horas, dependendo da missão. É o fim da logística pesada.

A segunda é mais ecológica e diz respeito à empresa Raw Idea que, em Roterdão, visa outro mercado com a sua marca Tanaruz. Joyce Pont, a diretora, utiliza uma mistura de fibra de vidro e plásticos reciclados de resíduos públicos em geral. Se o preço se mantiver alinhado com o padrão do momento (reciclagem é caro), o objetivo é atrair o mercado de arrendamento através da inovação e de uma imagem “sustentável”.

O que ainda precisa mudar

Do jeito que está, você não verá super iates ou navios porta-contêineres saindo de uma impressora tão cedo. Joyce Pont permanece lúcida neste ponto: os grandes navios de luxo continuarão sendo artesanais.

No entanto, para barcos de trabalho, lanchas rápidas ou drones, a mudança está em andamento. Os freios não são mais técnicos, mas regulatórios. Os fabricantes estão a trabalhar arduamente com as autoridades europeias para certificar estes novos cascos que não cabem em nenhuma caixa existente.

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Fonte :

BBC



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