Com melhor eficiência energética e fornecimento de energia com eletricidade renovável, este novo data center tem tudo para encarnar a instalação ideal na era da transição energética. Para isso, seu operador teve que ser estratégico na escolha do local: o centro estava submerso no fundo dos oceanos.

À medida que os data centers se multiplicam a uma velocidade vertiginosa, algumas empresas já estão a experimentar instalações subaquáticas. O mais recente, desenvolvido pela empresa chinesa HiCloud na costa de Xangai, é, no entanto, inédito, porque está diretamente ligado a um parque eólico offshore. Segundo a empresa, esse sistema poderá operar 95% com energia eólica.
Inaugurado em 21 de outubro, este data center hospedará aplicações de computação intensivas e será usado para treinar modelos de IA em larga escala. Contribuirá também para uma melhor implantação da computação em nuvem e da infraestrutura digital, apoiando nomeadamente as redes 5G, a Internet das Coisas e o comércio eletrónico.
Desfrute de um ambiente naturalmente resfriado
A imersão de um data center atende principalmente a um objetivo: reduzir o consumo de energia. O aumento da potência destas infra-estruturas constitui um dos principais impulsionadores do aumento da procura de electricidade nos próximos anos.

Os servidores hospedados nesses centros consomem muita energia e também requerem um sistema de refrigeração significativo para funcionar. Em alguns casos, até 50% do consumo total de eletricidade é dedicado a este arrefecimento. A instalação de data centers debaixo d’água permite, portanto, aproveitar o frescor natural do fundo do mar. Segundo HiCloud, esta configuração reduz o consumo de energia do sistema de refrigeração para menos de 10% do consumo total.
Outra vantagem é a redução no uso de água doce. Algumas grandes instalações consomem até 19 milhões de litros por dia apenas para resfriar seus servidores. O arrefecimento subaquático evita, portanto, este desperdício e ajuda a tornar o centro mais sustentável.
Grandes instalações subaquáticas estão por vir?
Parece que para o HiCloud o fundo do mar se tornou o local favorito para estabelecer data centers. Esta primeira instalação, com potência de 2,3 MW, é atualmente apenas um projeto de demonstração, mas a empresa já prevê estendê-la até 24 MW. Além disso, durante a inauguração, vários parceiros também assinaram um acordo de cooperação estratégica para desenvolver um data center subaquático de 500 MW diretamente conectado a um parque eólico offshore.

A transição para uma operação em larga escala, no entanto, ainda requer trabalho e melhorias contínuas e significativas. Os investigadores estarão particularmente interessados em questões de custos de manutenção, tendo em conta os constrangimentos ligados à imersão do sistema.
O impacto ambiental também é um problema. Os investigadores terão de avaliar os possíveis efeitos na temperatura local da água, no ruído subaquático ou mesmo na perturbação dos habitats de certas espécies. Os designers devem garantir que esta tecnologia não se transforme numa falsa boa ideia.
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