“Como os feromônios agem nos humanos?”pergunta David Mathon em nossa página no Facebook. Esta é a nossa pergunta do leitor da semana. Obrigado a todos pela sua participação.

Quando falamos de feromônios, a imaginação coletiva decola imediatamente: uma química invisível que, como acontece com os insetos ou certos mamíferos, regula nossas atrações e orienta nosso comportamento. No entanto, assim que a ciência analisa estes sinais nos seres humanos, as certezas desmoronam. Trabalhos experimentais, antigos e recentes, convergem para a mesma conclusão: se existe comunicação química em nós, ela em nada se assemelha ao modelo animal clássico. E acima de tudo, resta demonstrar!

Perfumes “afrodisíacos”?

Um estudo publicado em 2017 na revista Ciência Aberta da Royal Society analisou duas moléculas há muito apresentadas pela indústria de perfumes “afrodisíacos”: androstadienona e estratetraenol. Comercializadas desde a década de 1990 como “feromonas humanas”, estas substâncias nunca tinham sido validadas cientificamente.

Para testá-los, investigadores australianos expuseram 94 voluntários heterossexuais (43 homens e 51 mulheres) a estes compostos e, no dia seguinte, a um perfume de controlo. Os participantes tiveram então que determinar o sexo de rostos neutros ou avaliar a atratividade e o risco de infidelidade de pessoas do sexo oposto. Se essas moléculas agissem como verdadeiros feromônios, deveriam ter influenciado esses julgamentos. No entanto, nenhuma diferença estatisticamente significativa foi observada. “Os resultados são consistentes com os de outros estudos experimentais que sugerem que é improvável que estas duas moléculas sejam feromônios humanos” tendo impacto nos seres humanos, concluíram os autores do estudo.

Alguns estudos descrevem ligeiras alterações de humor ou atenção em relação à androstadienona, mas os estudos criticam-nos pelo seu protocolo negligente, pelo pequeno tamanho da amostra e pela sua situação longe das condições reais.

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Um feromônio implica um mecanismo inato, universal e reprodutível

Esta cautela científica não foi desmentida nos últimos anos. Em 2023, uma equipa de investigação liderada pelo checo Jan Havlíček publica uma vasta síntese na revista Perspectivas da Ciência Psicológicafazendo um balanço da comunicação química humana. Ela explica que nosso olfato é muito mais refinado do que se diz há muito tempo: emitimos dezenas de compostos voláteis e nosso cérebro os discrimina em pequenas concentrações.

Mas os autores do estudo salientam que a própria definição de feromona implica um mecanismo inato, universal e reprodutível: um critério que nenhuma molécula humana candidata satisfez ainda. Os poucos efeitos relatados em certos estudos, muitas vezes modestos, variam muito dependendo do contexto experimental, da cultura ou do sexo da pessoa exposta. Em outras palavras, nada que evoque a reação estereotipada de inseto ou roedor.

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Assim, para o biólogo Tristram Wyatt, da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha), todos os chamados “feromônios humanos” vendidos comercialmente não têm base sólida. Em estudo publicado em 2015 na revista Anais da Royal Society B, ele explicou que as melhores pistas para evidências de feromônios podem vir… de recém-nascidos. Neles, os comportamentos ligados ao olfato (orientação para o cheiro do seio materno, apaziguamento por certas assinaturas olfativas) parecem mais “crus”, menos contaminados pelo aprendizado ou pelas normas sociais. Uma linha de pesquisa que poderá, um dia, levar à identificação de sinais químicos humanos reais?

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