Muitos pesticidas foram detectados no ar e na poeira dentro das casas na França continental, embora às vezes proibidos durante anos, de acordo com os resultados de um estudo nacional publicado quinta-feira, 27 de novembro. Esta campanha permitiu detectar 81 pesticidas no ar e 92 na poeira, em 571 casas em 321 municípios espalhados por 84 departamentos.
O estudo Pestiloge, financiado pela Agência Nacional de Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (ANSES) e realizado de novembro de 2020 a fevereiro de 2023, visa quantificar a concentração de pesticidas no ar e no pó doméstico a utilizar para avaliar os riscos associados à exposição a estas substâncias.
Segundo o relatório publicado pela ANSES, foram detectados quatro pesticidas no ar de mais de 80% das residências: dois inseticidas, lindano e transflutrina, e dois repelentes de insetos, DEET e icaridina. Estes pesticidas e outro insecticida, a permetrina, foram encontrados em mais de uma em cada duas casas, enquanto um fungicida, o Folpel, foi detectado em mais de 60% das casas.
Por último, o clorprofame, um herbicida, esteve presente em 70% das habitações durante esta campanha de detecção realizada pelo Centro Científico e Técnico de Edificação (CSTB). Para alguns destes produtos – lindano e permetrina – as concentrações foram até “geralmente mais alto em residências do que no ar externo”.
Na ausência de valores de referência ou limiares regulamentares, é no entanto impossível dizer se a exposição às concentrações registadas representa ou não um risco para a saúde dos ocupantes, explica a ANSES.
Substâncias onipresentes na poeira doméstica
Quanto aos pesticidas, “detectado com mais frequência na poeira do que no ar das casas”13 deles foram detectados em mais de nove em cada dez domicílios. Estes incluem cinco fungicidas (boscalid, diclorano, difenoconazol, propiconazol, tebuconazol), quatro inseticidas (acetamippride, cipermetrina, imidaclopride, permetrina), dois herbicidas (glifosato, terbutrina) e dois repelentes de insetos (DEET, icaridina). E quatro outras substâncias foram encontradas em mais de uma em cada duas residências (fipronil, lindano, piriproxifeno, transflutrina).
Estas medições demonstram a persistência, muito depois da sua utilização, da contaminação por pesticidas no ar e na poeira das casas francesas. “A limpeza regular de superfícies e a aspiração de poeira continuam entre as melhores ferramentas para limitar” esta persistência, lembra a agência de segurança sanitária.
Alguns destes produtos não são comercializados há anos, “deve-se manter vigilância quanto à presença de móveis antigos ou esquadrias de madeira que possam ter sido tratadas com produtos biocidas atualmente proibidos”sublinha Anses. E “não é recomendado o uso de estoques antigos de produtos fitofarmacêuticos ou biocidas”.