
A primeira vacina de dose única do mundo contra a dengue foi aprovada quarta-feira no Brasil, um avanço descrito como “histórico” pelas autoridades do país sul-americano, o mais afetado por esta doença no ano passado.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan de São Paulo, para pessoas de 12 a 59 anos.
Até o momento, a única vacina contra dengue disponível globalmente é a TAK-003, para a qual são necessárias duas doses com intervalo de três meses, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A dose única pode acelerar e facilitar campanhas de vacinação em massa.
“Este é um sucesso histórico para a ciência e a saúde no Brasil”, disse Esper Kallas, diretor do Instituto Butantan, um órgão público, em entrevista coletiva em São Paulo.
“Uma doença que nos aflige há décadas pode agora ser combatida com uma arma muito poderosa”, acrescentou.
O Brasil fechou acordo com a empresa chinesa WuXi para o fornecimento de cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A nova vacina foi testada em mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros durante oito anos, com eficácia de 91,6% contra a forma mais grave da doença.
Transmitida aos humanos pelo mosquito tigre, a dengue pode causar febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e erupções cutâneas. Em casos raros, pode ser fatal.
No ano passado, o Brasil registrou mais de 6.000 mortes por dengue, quase metade do total de mortes relatadas no mundo.
Um estudo da Universidade de Stanford publicado em 2024 estimou que o aquecimento global é responsável por 19% dos casos atuais de dengue.
O mosquito tigre, antes confinado às regiões tropicais, está hoje muito presente na Europa, onde encontra condições climáticas cada vez mais favoráveis.