Raramente uma questão de saúde pública foi objeto de tantas dúvidas e debates. Quase quinze anos após a classificação, em 2011, das radiofrequências como “possível cancerígeno” pela Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), a Agência Nacional de Segurança Alimentar, Ambiental e de Saúde Ocupacional (ANSES) atualizou o seu próprio trabalho sobre o assunto. Num relatório pericial coletivo divulgado quarta-feira, 26 de novembro, a agência francesa considera que os dados acumulados desde então não permitem identificar uma ligação entre o desenvolvimento de patologias cancerígenas e a exposição às radiofrequências. E isto, inclusive nas condições de exposição mais fortes, ou seja, no contexto da utilização clássica dos telemóveis, onde a fonte de emissão está muito próxima do corpo (neste caso o cérebro).
“A busca pelos efeitos das radiofrequências na saúde continua para nós uma importante questão de saúde pública porque toda a população ou quase toda está expostaexplica Olivier Merckel, chefe da unidade de Agentes Físicos e Novas Tecnologias da ANSES. Nomeadamente através da utilização de telemóveis utilizados por 98% da população com mais de 12 anos, mas também através de infra-estruturas de transmissão, cujo número aumenta regularmente. » Os quinze especialistas reunidos pela agência prosseguiram modelando a sua abordagem na da IARC. Avaliaram os estudos disponíveis sobre os três tipos de provas de um efeito cancerígeno: mecanismos biológicos, estudos em animais de laboratório e estudos epidemiológicos em humanos.
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