Um é estrategista, magistral em seus discursos e dificilmente deixa transparecer suas emoções. O outro confia nas suas qualidades de negociador, não perde tempo com os ficheiros dos seus assessores, já revelou no seu voo para a Ásia quais serão as suas prioridades, mas a sua natureza imprevisível torna-o desestabilizador. O jogo diplomático do ano realizar-se-á quinta-feira, 30 de outubro, na Coreia do Sul, quando Xi Jinping e Donald Trump se reunirão pela primeira vez sob o novo mandato do bilionário norte-americano, à margem de uma cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).
Até ao último momento, o encontro entre os presidentes das duas principais potências mundiais permaneceu incerto, sob o efeito dos surtos febris da relação sino-americana. Em 10 de outubro, Donald Trump ameaçou aumentar em 100% os direitos aduaneiros sobre os produtos chineses. Mas dois dias de negociações na Malásia, no fim de semana de 25 e 26 de outubro, permitiram definir os contornos de um compromisso que tornará a reunião aceitável para todos. “Eles querem fazer um acordo e nós queremos fazer um acordo”declarou com confiança o presidente americano no domingo. A China, por seu lado, espera confirmar que a sua abordagem é a correcta: que não só tornou possível reformular Donald Trump, mas que também permitirá no futuro manter uma relativa estabilidade nas suas relações.
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