A operação policial mais mortífera da história do Rio de Janeiro, Brasil, deixou pelo menos 132 mortos, segundo contagem estabelecida na quarta-feira, 29 de outubro, por um órgão público, que duplica o número oficial conhecido até então. “De acordo com os nossos últimos números, o número de mortos é de 132”declarou à Agence France-Presse os serviços da Defensoria Pública, órgão do Estado do Rio que oferece assistência jurídica aos mais necessitados.
O governador do Rio, Cláudio Castro, anunciou que o número oficial de mortos na operação antidrogas de terça-feira permanecia em torno de sessenta, mas avisou que iria “para mudar” já que os mortos só são contabilizados na chegada ao necrotério.
Na terça-feira, 2.500 policiais e soldados a bordo de helicópteros, veículos blindados e a pé realizaram operações mortais nas favelas do Alemão e da Penha, em busca dos líderes do Comando Vermelho, o principal grupo criminoso do Rio que opera nas favelas, bairros densamente povoados da classe trabalhadora. Até agora, as autoridades relataram a morte de “60 criminosos” e quatro policiais.
Na manhã de quarta-feira, moradores do complexo da Penha, uma das maiores favelas do Rio, alinharam mais de 40 corpos em uma praça na manhã de quarta-feira, notou um jornalista da AFP. Não se sabe se os corpos são de algumas das vítimas anunciadas terça-feira pelas autoridades após as violentas incursões no complexo da Penha e no complexo do Alemão, localizado perto do aeroporto internacional. Os restos mortais foram colocados perto de uma das principais vias do complexo da Penha, uma das grandes favelas do Rio.
Se as batidas policiais são, apesar de sua eficácia contestada, frequentes nas favelas do Rio, a operação de terça-feira, por sua escala e seu custo humano, criou um choque. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse “horrorizado” e pediu “pesquisas rápidas”.