O Reino Unido, conhecido pelo seu clima sombrio, viveu o seu ano mais quente e ensolarado em 2025, anunciou esta sexta-feira a agência meteorológica nacional (Met Office), para a qual é “uma demonstração clara” das alterações climáticas.

Com temperatura média de 10,09°C, o ano de 2025 bateu o recorde anterior de 10,03°C estabelecido em 2022.

Quatro dos últimos cinco anos estão agora entre os cinco mais quentes registados no país, desde que as medições começaram em 1884, afirma o Met Office. Os dez anos mais quentes foram todos registados nas últimas duas décadas.

“Isto demonstra cada vez mais claramente os efeitos das alterações climáticas nas temperaturas no Reino Unido”, afirma a agência.

O Met Office também destaca que 2025 foi o ano mais ensolarado no Reino Unido desde que os registros começaram em 1910. As quase 1.648,5 horas de sol superaram o recorde anterior de 2003 em 61,4 horas.

Este ano muito quente “corresponde às consequências esperadas das alterações climáticas induzidas pelo homem”, explica Mark McCarthy, especialista em clima do Met Office, citado no comunicado de imprensa.

“Embora isto não signifique que todos os anos serão os mais quentes já registados, as nossas observações meteorológicas e modelos climáticos mostram claramente que o aquecimento global induzido pelo homem está a ter um impacto no clima do Reino Unido”, acrescenta.

Os recordes se sucederam no ano passado: a primavera e depois o verão foram os mais quentes já registrados. O inverno e o outono registaram temperaturas acima da média.

– Escassez de água –

Foram quatro ondas de calor durante o verão de 2025. O recorde de temperatura de 40,3°C alcançado em julho de 2022, porém, não foi batido.

“Embora muitos se lembrem da primavera e do verão de 2025 como particularmente quentes, o que foi notável este ano foi o calor consistente ao longo do ano, com todos os meses, exceto janeiro e setembro, sendo mais quentes do que a média”, comentou a cientista do Met Office, Emily Carlisle.

Num país onde as casas não foram concebidas para altas temperaturas, um terço dos britânicos disse ter dificuldade em manter as suas casas frescas neste verão, de acordo com um inquérito publicado no final de agosto pela associação Citizens Advice.

Em 2025, a Inglaterra também viveu a primavera mais seca em mais de cem anos.

Em meados de agosto, a Agência Ambiental julgou que a escassez de água na Inglaterra se enquadrava na categoria de fenômeno de “importância nacional”.

Yorkshire, no norte da Inglaterra, chegou a proibir a rega de jardins.

Em Outubro, especialistas do Comité sobre Alterações Climáticas (CCC), um órgão consultivo independente, alertaram que o Reino Unido deveria preparar-se urgentemente para “eventos climáticos extremos” entre agora e 2050.

Consideraram o cenário de um aquecimento de pelo menos 2°C em relação à era pré-industrial, com repercussões de secas, inundações e ondas de calor.

Num cenário de aquecimento de 2°C, a subida do nível do mar continuará a acelerar, entre 15 e 25 cm, ameaçando as cidades costeiras da Grã-Bretanha, alertaram.

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